A oscilação de neutrinos é um fenómeno da mecânica quântica em que um neutrino criado com um sabor específico (electrão, muão ou tau) possa ser medido, mais tarde, com um sabor diferente. A probabilidade de se medir um determinado sabor varia periodicamente à medida que o neutrino se propaga pelo espaço.

Oscilação dos neutrinos entre em função do seu sabor
Este fenómeno, previsto pela primeira vez por Bruno Pontecorvo em 1957, é de grande interesse teórico e experimental, dado que a sua observação implica que os neutrinos sejam partículas com massa não-nula, o que não se encontra incluído no Modelo Standard original da física das partículas.
No virar do milénio, Takaaki Kajita apresentou a descoberta de que neutrinos atmosféricos alternam entre duas identidades à medida que atravessam o detetor Super-Kamiokande. Simultaneamente, um grupo de investigação canadiano liderado por Arthur B. McDonald demonstrou que os neutrinos provenientes do Sol não desaparecem na sua trajectória em direcção à Terra, mas sim que estavam a ser capturados com diferentes sabores quando atingiam o Observatório de Neutrinos Sudbury
Um dos mistérios sobre os neutrinos que os físicos se encontravam a debater há décadas foi resolvido. Comparados com os cálculos teóricos do número de neutrinos, até dois terços deles se encontravam desaparecidos nos resultados das medições feitas na Terra. Estas duas equipas de investigação descobriram que os neutrinos mudam de identidade. A descoberta leva à conclusão de que os neutrinos, até então consideradas partículas desprovidas de massa, possuem efectivamente massa, por muito reduzida que seja.
O Modelo Standard da física das partículas tem vindo a mostrar incrivelmente consistente com os resultados experimentais dos últimos 20 anos. No entanto, este modelo requer que os neutrinos sejam partículas sem massa, pelo que estas novas observações mostraram claramente que o Modelo Standard não se trata da teoria completa dos constituintes fundamentais do Universo.
A descoberta galardoada com o Prémio Nobel da Física deste ano desvendou informação crucial acerca do mundo escondido dos neutrinos. Depois dos fotões, os neutrinos são as partículas mais numerosas em todo o Cosmos.
A Terra é constantemente bombardeada por estas partículas. Vários neutrinos são criados em reações entre a radiação cósmica e a atmosfera da Terra. Outros são produzidos nas reações nucleares que ocorrem no interior do Sol. Biliões de neutrinos atravessam o nosso corpo a cada segundo. Dificilmente alguma coisa os consegue parar; tratam-se das partículas elementares mais esquivas da Natureza.
Agora as experiências continuam; há agora a nível global uma intensa busca em tentar capturar neutrinos e examinar as suas propriedades. Esperam-se que novas descobertas acerca dos segredos mais obscuros dos neutrinos mudem o conhecimento corrente da história, estrutura e do destino do Universo.
Fontes: Wikipédia | Nobelprize.org
Imagens: http://goo.gl/4tir6n | https://goo.gl/VsEISF

