Embora pareça algo tirado de um dos clássicos de Júlio Verne, cientistas da Universidade de Alberta afirmam terem provas da existência de uma vasta massa de água a 500 quilómetros de profundidade.
A evidência de tamanha afirmação é bastante pequena – uns poucos microgramas de água presa dentro de um mineral – mas de acordo com Dr. Graham Pearson, “aquela zona particular da Terra, a zona de transição, poderá ter tanta água como a água de todos os oceanos do planeta combinados”.
Ringwoodite fora assim designada pelo Dr. Ted Ringwood, um perito nas transformações que ocorrem em certas rochas a altas pressões. Ele demonstrou que a olivina – (Mg, Fe)2SiO4 – pode apresentar uma estrutura cristalina diferente quando sujeito a enormes pressões e previu que a grandes profundidades este processo poderá ocorrer. Ringwoodite fora descoberta pela primeira vez em meteoritos, em vez das rochas que escapam das profundezas do Planeta.
Pensa-se que este mineral é o mineral mais comum a profundidades de 520 a 660 quilómetros e que as suas propriedades moldam o fluxo do manto a essas profundidades. Experiências laboratoriais demonstraram que este mineral consegue conter até 2,6% de água, mas sem provas físicas além das provenientes de meteoritos, estes dados eram apenas especulatórios.

A ringwoodite de Pearson foi descoberta nas areias de um rio em Mato Grosso, Brasil. A área é rica em diamantes, que brotam à superfície em kimberlite. Quando a ringwoodite ascende à superfície, a enorme diminuição da pressão faz com que esta se converta, primeiro em wadsleyite e depois em olivina, mas encontrando-se preso dentro de um diamante, este mantém a sua estrutura original.
Pearson andava à procura de outra coisa, mas encontrou um diamante castanho, demasiado “sujo” para ter valor comercial e pesando um decigrama. Dentro deste diamante encontrava-se enterrado um pedaço de ringwoodite com 0,04 mm, identificado pelo seu aluno John McNeil, autor principal da publicação na Nature.
Após vários anos de estudo com difracção de Raios-X e espectroscopia de infravermelhos, confirmou-se que a inclusão se tratava mesmo ringwoodite e que o seu conteúdo em água rondava os 1,5%.
Existem inúmeras teorias competitivas acerca da existência de água a essas profundidades. Embora a presença de água na rocha de Pearson indicar a presença de água no local onde esta se formou, este achado pode não ser suficiente para fazer desta hipótese realidade
No entanto, Pearson sente-se reivindicado. “Uma das razões do Planeta Terra ser um sistema tão dinâmico é a presença de água no seu interior”, disse Pearson. “A água muda tudo acerca da forma como o Planeta funciona”.
Fonte: IFL Science!

