A análise cuidada das conchas dos moluscos permitiu o desenvolvimento de um vidro que é até 200 vezes mais resistente que os actuais vidros comuns. Mohammad Mirkhalaf, investigador na Universidade McGill, provocou vários sulcos ondulados de forma precisa em lâminas de laboratório. Este processo deixou o vidro mais fino, contudo mais resistente, uma vez que estas ranhuras no vidro permitem a propagação e dissipação da energia proveniente da pressão exercida no mesmo. Assim, dissipando a energia do impacto, é possível prevenir que o vidro se parta.
Posteriormente, os investigadores cobriram as microfendas com poliuretano e verificaram um aumento na resistência do mesmo, contudo avançam que não será viável o uso deste polímero, pois o aumento não é justificativo do investimento.
Foram então analisadas as estruturas microscópicas das conchas, principalmente nas zonas mais sensíveis, de forma a perceber como é que estas resistem a impactos que levariam à quebra de toda a concha e à propagação do dano por toda ela. O perfil de ranhuras foi então aplicado no vidro com recurso a um ponteiro laser.
O próximo passo será testar a técnica em vidros de formatos mais complexos e maiores do que as lâminas de microscópio usadas até então. Para além disso, pensam ainda em alargar a técnica a outro tipo de materiais.
“O que sabemos agora é que podemos aumentar a resistência do vidro ou outros materiais usando padrões de microfissuras para guiar fissuras maiores e, nesse processo, absorver a energia proveniente de um impacto,” disse o professor Francois Barthelat. Avançou ainda que iniciaram o trabalho com vidro porque é considerado um material extremamente frágil.
Fonte: Inovação Tecnológica

