Se o antigo software de compartilhamento causou impactos profundos na indústria da música, as impressoras 3D, quando chegarem ao público em geral, revolucionarão a nossa forma de consumo. No vídeo abaixo, um dos entrevistados afirma que deixaremos de ser consumidores passivos e passaremos a criar nossos produtos. Não passou muito tempo desde que o Pirate Bay entrou na onda da impressão 3D e tem disponibilizado “objetos físicos” para download. Esse tipo de facilidade de produção e compartilhamento de objetos traz novas questões não só à dinâmica do mercado, mas também levanta questões éticas. Se antes era possível piratear música, com a impressão 3D podemos clonar brinquedos, peças de decoração e qualquer outro objecto. O limite será mesmo a imaginação…
Imagine que quebrou, sem querer, a tampinha do compartimento de pilhas da sua câmera digital. A solução mais comum, hoje, seria usar fita adesiva, já que não se encontra uma peça tão específica à venda. Talvez seja possível entrar em contato com o fabricante, mas a probabilidade de que essa peça custe 20% do valor da câmera não são baixas.
Num mundo com impressoras 3D acessíveis a todos, você poderia descarregar softwares como Blender ou Maya e usá-los para modelar uma peça idêntica, imprimindo-a, logo de seguida, no conforto do seu lar. Melhor ainda, se achar que esse item possui uma procura grande, poderá vendê-lo na internet ou simplesmente compartilhar o arquivo para que qualquer pessoa possa imprimi-lo.
Na verdade, as pessoas já estão fazendo isso. Peças e produtos completos têm sido criados nos quartos de pessoas espalhadas pelo mundo todo. Infelizmente, essa é uma tecnologia que ainda está restrita a uma parcela da população que pode pagar pelo alto custo das impressoras 3D. Mas é certo que, com o passar do tempo, esses equipamentos terão preço muito mais acessível e serão adotados massivamente.
E os direitos de autor…
O triângulo de Penrose, em teoria, é visto com um objeto impossível, devido às suas propriedades geométricas. Apesar de toda essa impossibilidade, o designer Ulrich Schwanitz imprimiu um triângulo de Penrose com sua impressora 3D e divulgou um vídeo na internet contando a sua aventura. Depois disso, Schwanitz colocou o objecto à venda na internet por 70 dólares, cerca de 55 euros. Porém, algumas semanas depois, outro modelador 3D, Artur Tchoukanov, estudou o objeto criado por Schwanitz e reproduziu-o, mas com uma diferença. divulgou o feito no Thingiverse, um repositório open source de modelos 3D. Depois disso, não demorou muito até que Schwanitz pedisse para que o arquivo de Tchoukanov fosse tirado do ar, clamando ser o detentor da propriedade intelectual daquele objecto. Apesar de ser uma situação bastante questionável, o Thingiverse acabou acatando o pedido do designer original.
Esse foi só o primeiro conflito de direitos autorais que se tem registro devido ao uso de impressoras 3D. Mas é provável que, no futuro, situações como essa se tornem mais comuns, principalmente se scanners 3D se tornarem mais precisos e mais baratos: nesse caso, copiar um objeto será tão fácil quanto clonar um CD.
Pensando no futuro… Impressoras 4D!
A impressão 3D ainda está longe se vulgarizar, mas já há quem pense em um aperfeiçoamento dessa tecnologia. O professor do MIT Skylar Tibbits apresentou, no início de 2013, uma palestra no TED sobre o que ele chama de Impressão 4D. Infelizmente, não estamos falando de imprimir objetos em dimensões paralelas. O nome é um pouco infeliz e chega a lembrar o caso dos “MP9” vendidos pelos camelos. A ideia é objectos capazes de se montarem sozinhos.
No vídeo acima, por exemplo, podemos ver um tubo que, ao entrar em contato com a água, se expande e se transforma lentamente numa espécie de cubo. Esse tipo de solução poderá ser usado tanto no caso de móveis que se montam sozinhos, mas também em canos que se modificam de acordo com o fluxo da água que corre por eles. E além da água, Tibbits acredita que poderão ser usadas outras fontes de energia para desencadear essas transformações, como calor, som e vibração.
Fonte: Tecmundo


