Após descoberta da estrutura em dupla hélice do ADN, na Universidade de Cambridge, por James Watson e Francis Crick, uma outra equipa da mesma universidade revela a existência, nas células humanas, de regiões do ADN com quatro cadeias moleculares emparelhadas.
Estas estruturas, chamadas quadruplexos-G por se formarem em regiões do genoma ricas em guanina, demoraram dez anos a serem postas em evidência in vivo. Os cientistas demonstraram a existência dos quadruplexos-G nas células humanas, gerando anticorpos capazes de detectar e de se ligarem a áreas do ADN ricas nessas estruturas. Como os anticorpos estavam marcados com agentes fluorescentes, permitiram não apenas localizar as áreas em questão, mas também determinar em que fase da divisão celular é que as quádruplas hélices se formavam. Concluiu-se assim que a produção de quadruplexos-G atinge o seu pico na altura da duplicação do ADN, imediatamente antes de a célula se dividir (Fase S). Os quadruplexos são, portanto, mais susceptíveis de se formarem em genes que se estão a dividir rapidamente, como acontece nas células cancerosas.
Balasubramanian, que, com a sua equipa, publicou na revista Nature Chemistry, “Para nós, isso abona fortemente a favor de um novo paradigma a investigar: a utilização destas estruturas quádruplas como alvos para futuros tratamentos personalizados.”
Os cientistas também mostraram que era possível aprisionar as quádruplas hélices de ADN dentro de pequenas moléculas sintéticas, impedindo a duplicação genómica e daí a divisão celular. Isto pode ser um grande passo para o tratamento do cancro se se conseguir localizar a actuação das moléculas sintéticas.
