Foram descobertas bactérias nas zonas mais profundas da camada de gelo Antárctico, mesmo acima do lago subglacial Vostok.
O lago, que jaz sob quase 4 quilómetros de gelo, é uma das fontes de água doce conhecidas mais profundas do Planeta e tem deixado investigadores curiosos desde a sua descoberta (através de sondas de ondas rádio, em 1974).
O isolamento do lago do resto da biosfera tem levado a muitas especulações sobre a possibilidade de existência de formas de vida desconhecidas. Institutos internacionais de investigação têm agora reconhecido a importância das perfurações do gelo para tentas atingir o lago.
Eles têm sido encorajados pela descoberta de bactérias numa carote perfurada a 3600 metros no gelo que se encontra por cima do lago. Além disso, esta descoberta reforçou a ideia que as missões às águas subterrâneas do Vostok poderão agir como os primeiros passos para descobrir formas de vida de condições extremas em outros lugares do nosso Sistema Solar.
“Os lagos subglaciais da região Este da Antárctida serão provavelmente um dos ecossistemas mais isoladosda Terra e poderão servir como guia para a análise de amostras e para a condução de experiências, para as missões de sondagem para a procura de sinais de vida nos oceanos cobertos de gelo na Lua de Júpiter, Europa”, disse Dr. David Karl da Universidade do Havai.
As águas do lago Voltok mantêm-se no estado líquido devido à pressão exercida pelo gelo e, talvez, devido a fontes geotermais.
A amostra foi removida de uma região 120 metros acima da zona onde o gelo e a água líquida coexistem.
As bactérias encontradas nessa amostra normalmente encontram-se associadas a solos e estão relacionadas com proteobactérias e actinomicetes. Elas podem ter alcançado a Antárctida em partículas dos solos do deserto da Patagónia que, posteriormente, ficaram soterrados. Se isto estiver correcto, estes micróbios poderão ter meio milhão de anos.
“Este lago, e outros como este, podem conter populações de microorganismos que se encontram adaptados a viver em habitats oligotróficos (pobres em nutrientes, pobres em biomassa e pobres em fluxo de energia).”, diz Karl.
Cientistas da Universidade do Estado de Montana descobriram bactérias em “agregados” de gelo, o que se pensa que correspondam a porções de água do Vostok que tenham congelado, sugerindo que o lago pode suster formas de vida.
“Da perspectiva dos biólogos, isto é o Santo Graal da Biologia dos lagos”, disse Dr. John Priscu da Universidade Estatal de Montana, aferindo ainda que “as nossas descobertas indicam que, no nosso Planeta, poucas são as limitações do mundo microbiano”.
Citando as palavras do Dr. David Mogk: “Life is where you can find it” (a vida está onde a encontramos)
Adaptado de: http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/557021.stm
