Ter acesso ao funcionamento interno de um neurónio in vivo oferece uma vasta quantidade de informação útil: as suas características de actividade eléctrica, a sua forma e até o perfil dos genes que estão a ser expressos num dado momento. Porém, alcançar essa informação é uma tarefa tão meticulosa que é considerada uma forma de arte; é tão difícil que apenas um pequeno número de laboratórios no Mundo realizam.
Mas isso pode mudar brevemente: investigadores do MIT e do Instituto de Tecnologia da Geórgia desenvolveram uma forma de automatizar o processo de descobrir e gravar informação dos neurónios de um cérebro in vivo. Os investigadores mostraram que um braço robótico, guiado por um algoritmo de detecção de células, pode identificar e armazenar informação de neurónios do cérebro de um rato vivo com maior rigor do que os meios tradicionais.
Este novo processo elimina a necessidade de meses de treino, por parte dos investigadores, e fornece informação valiosa acerca da actividade das células. Usando esta técnica, os cientistas poderão classificar as centenas de diferentes tipos de células do cérebro, mapear as suas conexões e descobrir em que é que diferem as “células doentes” das normais.
Este projecto é uma colaboração entre os laboratórios de Ed Boyden, professor associado de engenharia biológica e das ciências cognitivas e do cérebro, do MIT, e Craig Forest, um professor assistente da escola de engenharia mecânica George W. Woodruff, do Instituto de Tecnologia da Geórgia.
“O nosso sonho foi interdisciplinar desde o começo, e isso permitiu-nos trazer princípios de design de maquinaria de precisão para recair sobre o estudo do cérebro in vivo”, disse Forest. O seu estudante graduado, Suhasa Kodandaramaiah, disponibilizou estes dois últimos anos como um estudante visitante do MIT, e é o autor principal do estudo.
Este método poderá ser particularmente útil no estudo de distúrbios mentais, tais como esquizofrenia, Parkinson, autismo e epilepsia. Boyden disse ainda que “em todos estes casos, uma descrição molecular da célula que seja integrada com as suas propriedades eléctricas […] mantém-se elusivo. Se nós conseguirmos realmente descrever como as doenças alteram moléculas em determinadas células, poderá conduzir à descoberta de novos medicamentos”.
Adaptado de: http://medicalxpress.com/news/2012-05-robot-reveals-brain-cells.html
