“Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta – mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro.” José Saramago, Deste Mundo e do Outro, Ed. Caminho, 7.ª ed., p. 216
Diversão, despreocupação e até inconsciência são palavras que, actualmente, caracterizam a vida da maioria das pessoas. É urgente mudar estas mentalidades, o que não implica acabar de vez com o divertimento. Implica, sim, incutir valores de modo a que quem vive assim a sua vida possa fazer algo importante com ela e deixar o seu legado neste mundo que um dia vão abandonar.
É importante esclarecer que este texto não é uma crítica a quem se diverte, bem pelo contrário. Passar bons momentos na companhia daqueles de quem mais gostamos, quer seja numa reunião familiar ou numa festa com os amigos é vital. O que seria do mundo se, de repente, se extinguisse toda a alegria? Passaríamos todos a (sobre)viver num lugar triste e sombrio. Não sendo tão radicais, podemos observar o que a falta de momentos de descontracção faz a alguém, basta atentar nos indivíduos que, obcecados com a carreira “vivem” para o seu emprego, acabando por se afundarem em esgotamentos nervosos devido a todo o stress do seu quotidiano.
Assim como é importante não esquecer a descontracção, é de vital importância pararmos para pensar “(…) o que andamos aqui a fazer.”, qual a nossa missão neste mundo. Devemos reflectir nas consequências dos nossos actos para que deixemos a nossa melhor marca neste lugar. Temos por obrigação olhar para o nosso próximo e ver o que podemos fazer por ele, bem como contribuir para uma sociedade mais justa e mais agradável para todos nós. Se cumprirmos com o acima referido, a nossa vida valerá a pena e deixaremos algo de bom neste mundo. Até porque não é preciso ser-se um génio da Física ou da Matemática para sermos lembrados no futuro. Um gesto tão simples como dar comida a que não a tem pode-nos tornar “imortais”.
Concluindo, devemos viver alegremente, sem nunca esquecer que os nossos actos ficarão, ou não, na História da sociedade.
Ana Koch

