Hoje o tema do espaço saúde vai abordar a paralisia do nervo facial, sétimo par craniano, geralmente idiopática súbita, unilateral e periférica. A sintomatologia compreende paresia hemifacial das porções superior e inferior da face, sendo realizados radiografia do tórax, avaliado o nível sérico da enzima conversora de angiotensina, realizados testes para a doença de Lyme e avaliados os níveis séricos de glicose como forma de diagnóstico deste tipo de paralisia. Com isto, o tratamento tem como objetivo promover a lubrificação do olho afetado, o uso intermitente de um tapa-olho e, no casos de ser uma paralisia idiopática, é necessário a administração de corticóides.
O principal mecanismo associado atualmente à paralisia do nervo facial é, aquilo que chamamos edema do nervo facial decorrente de doença imunitária ou viral e evidências mais recentes têm demonstrado que as principais causas virais são aquelas associadas a infeção por herpes-vírus simples e/ou herpes zooster. No entanto, outras causas virais podem também elas estas associadas, como o caso do vírus coxsackie, citomegalovírus, adenovírus, vírus Epstein-Barr, caxumba, rubéola e Influenza B. Para além das doenças virais, outras causas como doenças podem estar na origem do desenvolvimento de paralisia do nervo facial, tais como a doença de Lyme (como já mencionada) e a sarcoidose.
Fisiopatologicamente o que é que acontece neste tipo de paralisia?
O que se sabe é que os músculos faciais são inteiramente enervados perifericamente pelo sétimo para craniano ipsolateral e centralmente pelo córtex cerebral contralateral. Relativamente à enervação lateral, esta tende a ser bilateral para a face superior e unilateral para a face inferior. Como consequência, as lesões centrais e periféricas tendem geralmente a paralisar a parte inferior da face. No entanto as lesões periféricas, que é o caso da paralisia do nervo facial tendem a afetar mais a parte superior da face comparativamente com as lesões centrais.
Qual a sintomatologia que surge?
A principal sintomatologia associada à paralisia do nervo facial inclui:
- Dor atrás da orelha;
- Geralmente a paralisia desenvolve-se totalmente em 48 a 72 horas;
- Dormência ou sensação de peso na face;
- O lado afetado fica sem rugas e com ausência de expressão;
- Limitação ou inexistência da capacidade de franzir a testa, piscar e fazer caretas;
- Margem palpebral aumenta com impossibilidade de fechar os olhos, causando irritação na conjuntiva e ressecando a córnea; isto acontece em casos mais graves da doença;
- Alteração nos processos de salivação, gustação e lacrimejamento; se a lesão for proximal, podendo também ocorrer hiperacusia.
Como pode ser feito o diagnóstico?
Inicialmente é necessário fazer uma avaliação clínica, seguida de uma radiografia do tórax e avaliação dos níveis séricos da enzima conversora da angiotensina para despistar a presença de sarcoidose, uma das doenças propiciadoras deste tipo de paralisia.
Posteriormente, é importante realizar uma ressonância magnética se o início da paralisia é gradual ou se foi verificado déficits neurológicos.
Com base nos resultados dos exames obtidos, podem ser indicados novas avaliações e novos exames.
Com base em toda a avaliação clínica conjunta com os exames médicos realizados é possível distinguir paralisia do nervo facial de origem central de outros transtornos que causam a paralisia do nervo facial de origem periférica com base na sintomatologia, sendo que esses trantornos incluem todos aqueles de origem viral já mencionados, a doença de Lyme, a sarcoidose, fraturas do osso petroso, invasão leucémica ou carcinomatosa do nervo, meningite crónica, tumores de ângulo pontoceebelar ou de glomo jugular e diabetes.
Como podemos tratar?
O tratamento passa essencialmente pela proteção da córnea e mela administração de corticoides para paralisia do nervo facial idiopática. Para evitar o ressecamento da córnea deve ser utilizado frequentemente lágrimas artificias, soro fisiológico ou gotas de metilcelulose e uso intermitente de fita adesiva ou tapa-olho para ajudar a fechar o olho, em particular durante o sono. Em algumas situações, há necessidade de tarsorrafia.
Quando há necessidade de corticóides, estes devem ser iniciados em 48 horas após a manifestação de paralisia, de forma a propiciarem uma recuperação mais rápida e mais completa.
Em situações em que a causa são doenças virais, é necessário fazer a administração de fármacos antivirais eficazes contra o vírus em causa.
Em termos de prognóstico, o que vai determinar o resultado final, vai ser a extensão do dano nervoso. Normalmente, ser restar alguma função do nervo, em regra ocorre recuperação total em alguns meses.
Gagyor I, et al.. Antiviral treatment for Bell’s palsy (idiopathic facial paralysis. Cochrane Library. 2019. Issue 9. DOI: 10.1002/14651858.CD001869.pub9.

