Uma reacção diotrópica (do grego dyo, que significa “dois”) em química orgânica é um tipo de reacção, mais especificamente uma isomerização de valência pericíclica, em que duas ligações sigma migram simultaneamente de forma intramolecular. Este tipo de reacções foi descrito pela primeira vez por Manfred T. Reetz em 1971. Existem dois tipos de reacções diotrópicas: as reacções de tipo I, em que dois grupos migrantes trocam entre si as suas posições relativas; e as do tipo II, que envolvem a migração para novos locais de ligação sem troca posicional.

Reacção diotrópica do tipo I (acima) e do tipo II (abaixo)
Rearranjos do tipo I
Numa reacção diotrópica do tipo I (Y-A-B-X converte-se em X-A-B-Y), os dois grupos migrantes encontram-se em orientação trans e como resultado, estes migram para os lados opostos da molécula. No final, a orientação mantém-se, mas as suas posições encontram-se invertidas. O primeiro tipo de rearranjo deste tipo que envolvesse ligações C-C foi reportado por Cyril A. Grob e Saul Winstein. Eles observaram a interconversão de dois átomos de bromo num esteróide.

Os dois átomos de bromo do 3-tert-butil-trans-1,2-dibromohexano sofrem mutarrotação induzida por aquecimento. No estado de transição, ambos os átomos estão conectados simetricamente com ambos os átomos de carbono e a reacção é consertada.
Rearranjos do tipo II
Uma reacção diotrópica do tipo II normalmente envolve a dupla migração de átomos de hidrogénio num esqueleto de carbono. Este tipo de reacção pode ser encontrado em certas reacções de hidrogenação por transferência. É exemplo deste tipo de rearranjo a transferência de hidrogénio em sinsesquinorborneno-disulfonas.

Fonte: Wikipédia

