Este caso aconteceu em Nevada, nos EUA, quando o xerife Chris Long foi sujeito a um transplante de medula óssea como tratamento para as doenças de que padecia: leucemia mieloide aguda e síndromes mielodisplásicas.
Felizmente, teve a sorte de ter um dador compatível, um dador na Alemanha que nunca conheceu e com quem apenas trocou algumas mensagens antes da intervenção. No entanto, a história acabaria por tornar-se mais complexa com o decorrer dos anos.

Substituição do DNA
Com o passar do tempo, e desafiado pelos colegas de trabalho, Chris Long acabou para fazer alguns testes de sequenciação genética de algumas amostras de tecidos do seu corpo. Os resultados mostraram que o DNA das células do seu sangue foi completamente substituído pelas do seu dador. Mais ainda, amostras recolhidas na sua língua, lábios e bochechas apresentam o seu próprio DNA, mas também DNA do dador de medula óssea.
Posto isto, podemos considerar que estamos perante uma quimera, pois trata-se de um indivíduo que possuí duas sequências diferentes de DNA na constituição da suas células.
O seu sémen pertence todo ao dador
Interessantemente, e 4 anos depois da intervenção cirúrgica, todo o DNA do sémen de Long corresponde ao do dador da medula óssea, não havendo traços de DNA do próprio Chris Long.
Obviamente que esta situação levanta algumas questões éticas como o caso da investigação de possíveis crimes e até mesmo a concepção de filhos.
No caso de um crime, poderá aparecer DNA de uma outra pessoa (a dadora) que poderá ser incriminada por crimes que não cometeu e que foram cometidos pela pessoa que recebe o transplante.
Além disso, com o DNA do sémen completamente substituído pelo do seu dador, os possíveis filhos que o recebedor possa vir a ter são seus ou do dador da medula? Poderá alguém ter filhos de outras pessoas? No caso de Chris Long, esta preocupação não se aplica porque Chris já havia feito uma vasectomia antes da intervenção.
Neste momento, os especialistas concordam que Chris Long é um caso de estudo para perceber o que possa ter acontecido e se isto é algo que acontece sempre com transplantes de medula óssea.
Fonte: The New York Times
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