Os transtornos do espetro autista são considerados distúrbios que afetam o neurodesenvolvimento por deficiência de interação e comunicação social, em que os portadores da patologia apresentam padrões estereotipados e repetitivos de comportamento e desenvolvimento irregular, muitas das vezes com retardo mental. A sintomatologia tem tendência a manifestar-se precocemente na infância sendo de causa desconhecida. Em alguns casos existe alguma componente genética ou causa clínica associada ao desenvolvimento da doença. Consequentemente, o diagnóstico baseia-se na avaliação da história clínica do paciente e observação atenta dos sinais apresentados por este. Após confirmação diagnóstica, o tratamento incide no controlo comportamental e, mais raramente, no tratamento medicamentoso.
Sobre o autismo…
O autismo é considerado o distúrbio mais comum entre os designados transtornos do espetro autista ou transtornos invasivos do desenvolvimento. O autismo tem maior prevalência no sexo masculino e, nos últimos anos, houve um aumento de diagnósticos assertivos de transtornos do espetro autista devido ao aperfeiçoamento dos critérios diagnósticos.
| Transtornos do espetro autista | |
| Subtipos de transtornos | Características clínicas |
| Síndrome de Asperger |
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| Autismo |
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| Síndrome de Rett |
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| Transtorno invasivo do desenvolvimento sem outra especificação |
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| Transtorno desintegrador na infância |
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Sintomatologia do autismo
O autismo, como já foi referido, manifesta-se precocemente na infância, entre o 1 ano de idade e os 3. Caracteriza-se por:
- Interações atípicas
- Falta de afetividade
- Inabilidade para abraçar
- Evitar o olhar
- Insistência comportamental e pessoal
- Resistência à mudança de rituais
- Forte ligação com objetos familiares
- Comportamentos repetitivos
- Problemas em falar e exprimir
- Mudez ou demora para começar a falar
- Linguagem idiossincrática
- Desempenho intelectual irregular
- Algumas crianças autoagridem-se

Figura 1 – Alguns sinais de autismo.
Todos pacientes (normalmente crianças) com transtornos do espetro autista têm problemas semelhantes em termos de interação, comportamentais e comunicativos.
Sobre as crianças portadores da síndrome de Asperger, geralmente têm desempenho intelectual e linguagem melhor comparativamente com o autismo.
Crianças com transtorno desintegrador têm desenvolvimento normal até aos 2 anos e, posteriormente começam a deteriorar as suas aptidões.
Dados neurológicos médico-clínicos incluem um caminhar não coordenado e movimentos motores estereotipados. Também podem ocorrer convulsões em 20 a 40% das crianças.

Figura 2 – Comportamentos de alerta do bebé com autismo.
Diagnóstico do autismo
O diagnóstico desta patologia passa pela observação e avaliação clínica pesquisando evidência de interação e comunicação deficientes e comportamentos ou gostos estereotipados, na maioria das vezes repetitivos e limitados.
Normalmente, é difícil testar este tipo de pacientes porque nem sempre os seus sinais são sugestivos de autismo, mas sim de um retardo próprio da idade, daí que haja necessidade de testes clínicos mais demorados para o diagnóstico assertivo.
Tratamento do autismo
O tratamento do autismo existe apenas no sentido de monitorização e auxílio da perseverança do bem-estar do paciente, e este inclui:
- Terapia comportamental
- Fonoterapia
- Terapia física e ocupacional (mais raro)
- Terapia medicamentosa (em casos mais graves da doença)
O tratamento necessita de incutir nos pacientes regras multidisciplinares e promove o encorajamento na interação e compreensão da comunicação.
Também é necessário realizar terapia da fala e linguagem que deve ser iniciada o mais precocemente possível na vida do paciente. Esta inclui métodos variados, incluindo sinais, desenhos e fala.
Quanto à terapia medicamentosa, esta pode-se basear na toma de antipsicóticos e antidepressivos como o valproato que ajuda no controle de comportamentos automutilantes.
Fontes: Manual MSD Versão para Profissionais de Saúde – Transtornos do espetro autista (TEA) (Transtornos invasivos do desenvolvimento) por Stephen Brian Sulkes, MD, Professor of Pediatrics, Division of Neurodevelopmental and Behavioral Pediatrics, Golisano Children’s Hospital at Strong, University of Rochester School of Medicine and Dentistry; CUF – Autismo; Instituto Nacional para a Reabilitação – Autismo; consultados no dia 19 de fevereiro de 2019.
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