Hoje o Espaço Saúde traz um tema bastante interessa e que tem como objetivo principal despoletar a tenção de todas as mulheres grávidas, em período de gestação ou que se venham a tornar futuras mamãs.
Sobre a toxoplasmose…
Assim, para dar início ao tema de hoje vou falar um pouco sobre o que é toxoplasmose propriamente dita. A toxoplasmose é causada pelo protozoário Toxoplasmose gondii. A infeção humana resulta, portanto, da ingestão de carne, quer seja de porco, vaca ou cordeiro crua ou mal confecionada, do contacto com gatos infetados, da ingestão de leite ou queijo não pasteurizado, da ingestão de vegetais mal lavados ou contacto com solos contaminados.

Figura 1 – Ciclo de vida do Toxoplasmose gondii.
Sobre a infeção causa pela toxoplasmose…
Geralmente a infeção provocada por este microrganismo verifica-se em adultos e ocorre maioritariamente de forma assintomática. Quando presentes, os sintomas são suaves e inespecíficos, originando um quadro semelhante a um quadro gripal, desde fadiga, febre, mialgia, linfadenopatia, entre outros.
O principal problema que pode advir desta infeção é se esta ocorrer em grávidas trazendo consequências graves para o feto da gestante. A taxa de transmissão materno-fetal varia entre 30 a 40%. Apesar de no primeiro trimestre de gravidez a taxa de transmissão ser menor (cerca de 15%), a doença é mais grave podendo provocar abortos espontâneos, morte fetal, morte peri-natal e graves problemas neurológicos. Já no terceiro trimestre, a taxa de transmissão materno-fetal ronda os 60%, no entanto, as consequências fetais são ligeiras.
Sintomatologia e Diagnóstico
A infeção causada pela toxoplasmose não apresenta sintomas no adulto, no entanto, em gestantes pode ser transmitida ao feto e causa severas malformações. A mulher grávida ou que pensa engravidar, desta forma, deverá atuar no sentido de evitar a infeção através de pequenas ações de prevenção primária fundamentais para salvaguardar a saúde do feto.

Figura 2 – Feto com alterações provocadas pela infeção por toxoplasmose – macrocefalia.
O diagnóstico deste tipo de microrganismo passa pela pesquisa de anticorpos IgG e IgM que são fundamentais no nosso sistema imunitário.
Prevenção da toxoplasmose
Para prevenir a contração da toxoplasmose deve:
- Evitar o contacto com gatos, nomeadamente se vadios;
- Ter cuidado para não deixar o gato próprio sair de casa para a rua, para que possa evitar alguma contaminação durante a gestação;
- Ter em conta que os ovócitos demoram apenas 24h a tornarem-se infeciosos;
- Caso possível, pedir a alguém conhecido que ajude a gestante a tratar os dejetos do gato, para que possa evitar o contacto com este tipo de resíduos. Se tiver de ser a própria gestante a recolher os dejetos do animal, deve optar por utilizar luvas e evitar a aspiração durante o tratamento de caixas de dejetos que deverá ser mudada diariamente e passada por água a ferver com o intuito de destruir os microrganismos presentes e passíveis de contaminação da grávida.

Cuidados a ter para uma prevenção primária
Os principais cuidados a ter e que já forma mencionados anteriormente são os seguintes:
- Cozinhar bem a carne evitando a ingestão de produtos e alimentos de charcutaria ou ovos crus;
- Lavar sempre as mãos após a confeção de carnes ou produtos de charcutaria e antes de começar a comer;
- Não ingerir leite pasteurizados e evitar os derivados deste;
- Lavar bem as superfícies e utensílios que estejam em contacto com carne ou produtos de charcutaria;
- Lavar bem toda a fruta e legumes com águia potável e ter sempre muito cuidado no ato de descascá-los;
- Ter cuidado com alimentos que estejam expostos ao ar e que corram maior risco de serem contaminados por moscas ou outros insetos transmissores de microrganismos e que propaguem mais facilmente a toxoplasmose;
- Evitar o contacto com a terra, flores e água não tratada;
- Evitar contacto com gatos e seus dejetos, dado que estes são os principais animais transmissores da doença, embora não sejam portadores.
Cuidados de saúde a ter caso contraia a toxoplasmose
O despiste da infeção ao nível fetal deve ser realizado no caso de uma análise ao sangue materno acusar uma infeção recente por análise dos anticorpos acima referidos.
Nos dias de hoje, o principal exame que é utilizado para o despiste da toxoplasmose é a análise do líquido amniótico e, para isso, a grávida terá de realizar uma amniocentese. Para além disto, é possível realizar uma ecografia que indica alguns sinais de infeção no feto.
No caso de a grávida ter contraído a toxoplasmose e após o nascimento do bebé, este deve ser vigiado durante todo o seu primeiro ano de vida, na medida em que existem situações de infeção que não são passíveis de serem diagnosticadas antes do nascimento do bebé. Assim, nos casos em que temos uma grávida infetada com a toxoplasmose, esta dede adotar um tratamento indicado pelo seu médico permitindo que esta não desenvolva riscos na gravidez diminuindo o perigo de infeção para o feto.
E, assim termina mais uma rubrica de hoje muito importante para qualquer grávida ou mulher que pensa engravidar.
Fontes: Affidea – Toxoplasmose; Carlos Martins – Toxoplasmose na gravidez; Metis – Toxoplasmose e gravidez

