A cicuta-verde (Amanita phalloides) é um fungo mortalmente venenoso, pertencente ao género Amanita. Largamente distribuído pela Europa, a cicuta-verde acabou por sendo introduzida noutras regiões, devido ao cultivo de espécies não-nativas. Espécies essas como o carvalho, o pinheiro e o castanheiro, ou outras espécies de folhas largas, são perfeitas para o crescimento da cicuta-verde.
Os cogumelos de A. phalloides costumam surgir durante o verão e outono. O chapéu costuma ter um tom esverdeado com uma estipe e lamelas brancas. Existem variantes cujo chapéu é totalmente branco, portanto esta característica não é um identificador de confiança.O chapéu costuma ter cerca de 5-15 cm de comprimento, sendo inicialmente arredondado. Porém com a idade vai ficando achatado. Já a estipe costuma ter uma altura de 8-15 cm e um diâmetro de 1-2 cm. A presença de uma volva, na base da estipe, é uma característica dos cogumelos desta espécie. Esta pode às vezes estar coberta por folhas.

O cogumelo da espécie Amanita phalloides. Autor: Archenzo.
Como já foi dito, o cogumelo deste fungo é dos mais venenosos existentes. Estima-se que cerca de metade (30 gramas) de um cogumelo contenha toxina suficiente para matar um humano adulto. Estas toxinas, conhecidas como Amatoxinas, são termo-estáveis. Assim, estas não sofrem alterações provocadas pelo calor, assim os efeitos tóxicos não diminuem ao cozinhar. Secar ou congelar os cogumelos também não reduz a quantidade de toxina. Assim é comum ocorrer envenenamento acidental, após consumo destes cogumelos. Uma vez que a cicuta-verde também se parece com outros cogumelos comestíveis tal como o cogumelo-de-césar.
O principal componente é a alfa-amanitina, que afeta principalmente o fígado e rins, podendo causar uma falha hepática e renal potencialmente fatal. A única possível cura envolve mesmo transplante hepático. Por exemplo, em 2006, uma família de três foi envenenada, resultando na morte de uma pessoa e os dois sobreviventes necessitaram de transplantes hepáticos.

Alfa-amanitina. Autor: Edgar181.
Desde cedo que a bioquímica da cicuta-verde tem sido estudada. A alfa-amanitina e a beta-amanitina inibem a RNA polimerase II, uma enzima vital na síntese de mRNA, microRNA e snRNA. Assim com esta inibição, a síntese de proteínas é inibida e o metabolismo celular é interrompido. Isto leva à morte celular. O Fígado e os Rins são os pincipais orgãos afetados, pois onde uptake destas toxinas ocorre em maior percentagem. A RNA polimerase do fungo é imune a estas toxinas, senão o próprio fungo seria afetado pelo seu próprio veneno.
Os primeiros sintomas, após a ingestão, ocorrem dois a três dias depois. Inicialmente, os sintomas são principalmente gastrointestinais, incluindo dores abdominais, diarreias, náuseas, vómitos e desidratação. Se não for tratado pode levar a hipotensão, taquicardia, hipoglicémia. Estes podem levar a delírios, convulsões e coma, ultimamente provocando uma falha hepática fatal e falha renal. A morte costuma ocorrer 6-16 dias depois da ingestão, se não houver tratamento.
O tratamento de envenenamento causado por consumo de cicuta-verde envolve sempre hospitalização. Das primeiras ações a realizar é uma descontaminação gástrica, com carvão activado ou mesmo uma lavagem. Só que estes tratamentos não são muito eficazes passadas muitas horas. Outras medidas que se tomam é o tratamento da desidratação, evitando outros problemas a nível do sangue, como a acidose metabólica ou hipoglicémia.
Não existe um antídoto 100 % eficaz, mas há tratamentos que aumentam a probabilidade de melhoria. Doses elevadas e contínuas de penicilina G intravenosa parecem resultar, apesar do mecanismo ser desconhecido. Silibinina intravenosa parece também ser importante, prevenindo o uptake de amatoxinas pelas células hepáticas. Também parecem estimular as RNA polimerases dependentes de DNA.
Outras técnicas com graus de sucesso mais reduzido incluem: plasmaferese, hemodiálise e hemoperfusão. Em casos de pacientes com algum grau de falha hepática, o mais certo é a necessidade de haver um transplante hepático.
Fonte: Wikipedia

