A cigana (Opisthocomus hoazin), também chamado de Jacu-cigano, é uma espécie de ave tropical que habita os pântanos, florestas ripárias e mangais do delta do Rio Amazonas e do Rio Orinoco na América do Sul. É uma ave interessante pois as suas crias possuem garras em dois dígitos das suas asas. Esta espécie é única dentro do género Opisthocomus, sendo este por sua vez o único género existente na família Opisthocomidae. A posição taxonómica desta família ainda não é clara, visto que é um tópico ainda muito debatido.
A cigana tem um tamanho semelhante a um faisão, com uma altura de 65 cm, e uma longo pescoço com uma cabeça pequena. Possui uma cara azulada com olhos acastanhados e uma coroa alaranjada e espigada. Possui uma boa combinação de cores castanhas com uma cor creme como se pode observar na imagem abaixo.

Duas ciganas pousadas num ramo. Autor: Cláudio Dias Timm
É um herbívoro, alimentando-se principalmente de folhas e frutas e possui um sistema digestivo peculiar com um papo aumentado onde ocorre fermentação bacteriana de matéria vegetal, de forma análoga ao sistema digestivo de mamíferos ruminantes. A ocorrência da fermentação dá à ave um cheiro nauseabundo. Alimenta-se principalmente de folhas e de alguns frutos e flores que crescem nos pântanos, deslocando-se de forma desajeitada por entre os ramos das árvores.
A cigana é uma ave muito barulhenta, possuindo diversas vocalizações, normalmente associadas a movimentos corporais e abertura de asas. Estas comunicações são essenciais para a manutenção do contacto entre indivíduos no mesmo grupo, alertando para ameaças e intrusos ou para crias com fome. São aves gregárias e formam pequenos bandos que habitam árvores próximas. As ciganas acasalam durante a época das chuvas e montam os seus ninhos em ramos sobre a água.

Autor: Linda De Volder
As crias alimentam-se da comida fermentada regurgitada pelos pais e apresentam duas garras nos dígitos de cada asa. Logo após a eclosão, as crias fazem uso das suas garras e patas para se deslocarem por entre os ramos das árvores, sem cair para a água. Este deslocamento permite que as crias consigam esconder-se entre os arbustos caso alguma ave de rapina ataque o ninho. Em último caso, as crias atiram-se para a água para se esconder e depois voltar a trepar os ramos de volta para o ninho. Estas garras desaparecem depois com o crescimento.
No seguinte vídeo é possível ver as garras das crias de cigana.
A aparência peculiar sempre levou a um interesse em saber as relações filogenéticas com outras espécies de aves. Em 2015, uma pesquisa genética revelou que a cigana é a última espécie sobrevivente de uma linha de aves que divergiu numa direção única à cerca de 64 milhões de anos atrás, pouco tempo depois do evento que extinguiu todos os dinossauros não relacionados com aves. Assim, esta linha é a linha mais velha e extante de aves que existe, visto que os ancestrais comuns que as outras aves possuem são todos mais novos.
Esta característica das garras é partilhada com uma ave fóssil já extinta, o Archaeopteryx. Os cientistas já fizeram várias suposições para o facto de a cigana possuir ainda garras, incluindo como adaptação secundária para o ambiente me que vivem, tendo ocorrido um atavismo, isto é, o reaparecimento de uma característica no organismo depois de muitas gerações de ausência, visto que provavelmente ainda deve estar no código genético das aves informação para o desenvolvimento de garras nas asas.
Devido ao seu cheiro intenso e mau sabor, a cigana é só caçada por humanos em tempos de grande necessidade. Esta espécie, apesar da sua aparência e peculiaridade não se encontra em risco de extinção, com um estado pouco preocupante.

A cigana é a Ave Nacional da Guiana. Autor: Kate
Fonte: Wikipedia

