O Diabo-da-tasmânia (Sarcophilus harrisii) é um marsupial, encontrado apenas na ilha-estado da Tasmânia, na Austrália. É o maior marsupial carnívoro existente em todo o mundo, após a extinção do Tilacino (Thylacinus cynocephalus). É do tamanho dum pequeno cão, pesando entre 4-12 kg com 51-79 cm de comprimento (O seu tamanho varia, dependendo da localização geográfica e da quantidade de fonte de alimento disponível). Possui um pêlo castanho ou preto com uma possível faixa branca no peito, dando uma pelagem semelhante ao dum urso bébé. A espécie tornou-se famosa com o Diabo-da-tasmânia, uma personagem dos Looney-Tunes, louca e selvagem.
Os primeiros exploradores chamaram de diabos a esta espécie pois observaram muitas vezes os ataques de raiva e fúria que os diabos-da-tâsmania tinham quando confrontavam um predador, lutavam por um parceiro ou defendiam o seu alimento. Estes carnívoros ainda mostravam os dentes e possuíam uma vasta gama de sons guturais.
Sendo exclusivamente carnívoro, esta espécie alimenta-se de cobras, pássaros, peixes e insectos e de carcaças quando as encontram. Fazem uso dos seus dentes afiados e mandíbulas fortes e musculadas para conseguir matar e arrancar a carne das presas. Caçam apenas à noite e utilizam os seus longos pêlos faciais, a visão e o sentido de olfacto para localizar presas e carcaças e evitar predadores. Alimentam-se de qualquer coisa que encontrem, demonstrando muitas vezes um apetite voraz, devorando pêlos, orgãos e mesmo ossos. Quando encontram um predador, este marsupial boceja de forma a demonstrar que não se sente intimidado pelo oponente.

As marcas brancas que caracterizam o diabo-da-tasmânia nem sempre se encontram presentes em todos os membros da espécie
As fêmeas ficam grávidas durante 3 semanas e dão à luz a 20-30 crias do tamanho de passas. Como nos restantes marsupiais, as crias rastejam pelo pêlo da progenitora até à bolsa. Porém nesta só há quatro mamilos, só sobrevivendo um número reduzido de crias. passam cerca de 4 meses na bolsa de progenitora, antes de saírem da mesma. O desmame ocorre ao sexto mês e já são independentes durante o oitavo. Este ritmo de vida é compreensível visto que a esperança média de vida do diabo-da-tasmânia é de 5 anos no seu habitat.
Outrora, os diabos-da-tasmânia também existiam na Austrália mas crê-se que extinguiram-se à 3.000 anos, devido à introdução dos dingos. Actualmente, habitam apenas a ilha da Tasmânia, onde não há dingos, e podem ser encontrados em quase toda a ilha, especialmente na floresta e algumas zonas costeiras.
São uma espécie ameaçada, pois no século XIX os agricultores julgava que eram responsáveis pela morte de gado, enquanto só matavam galinhas, levando a uma erradicação quase total da espécie. Em 1941, o governo tornou os diabos-da-tasmânia uma espécie protegida, levando ao crescimento da população.
Mas infelizmente surgiu uma doença muito grave no final do século XX que já matou 10 milhares de indivíduos. Conhecida como Tumor facial do diabo-da-tasmânia (TFDT), uma neoplasia agressiva transmissível e não-viral. Esta doença já devastou grande parte das populações de diabos, levando a um declínio de 20 a 50%, em aproximadamente 65% da ilha (correspondente à parte oriental da ilha). Os sintomas do TFDT começam com lesões e formação de nódulos em redor da boca dum indivíduo, que rapidamente se desenvolvem em tumores cancerígenos que se espalham pelo corpo. Estes interferem na alimentação, levando a que o diabo morra de fome por não conseguir se alimentar. As populações afectadas sofrem até 100% de mortalidade entre os 12 a 18 meses.
Especialistas em animais estão a realojar as populações saudáveis para as zonas onde a doença ainda não surgiu e planeiam começar com projectos de cativeiro de forma a assegurar a continuação da espécie. Não se sabe ao certo o modo de como a doença surge mas os cientistas acreditam que esteja envolvido com as células de Schwann do sistema nervoso periférico.
Fonte: Wikipedia (1), (2) , National Geographic





