O gafanhoto é um animal que quando só não é capaz de causar grandes problemas, mas quando em enormes enxames são capazes de dizimar hectares e hectares de plantações. O mais impressionante é a capacidade que têm de não colidirem durante o voo, e isso é explicado por um sistema altamente sofisticado dos seus cérebros e que impedem que estes colidam uns com os outros durante os voos nos enormes enxames que organizam.
O objectivo de uma equipa de investigadores das Universidades de Lincoln e Newcastle é perceber como funciona este mecanismo e conseguir transpô-lo para a computação e aplicá-lo a robôs e automóveis de modo a minimizar as colisões entre si. Os gafanhotos possuem um sistema muito complexo de sinais eléctricos e químicos que são percepcionados na vizinhança a grande velocidade e que portanto são usados para evitar as colisões. O que os cientistas declaram, é que é possível, pelo menos em teoria, aplicar um sistema semelhante a robôs.
O estudo iniciou-se pela percepção de como é que as mensagens são recebidas e processadas pelo cérebro do gafanhoto. Assim estudaram os mecanismos e anatomia do cérebro do gafanhoto de modo a mimetizar o seu funcionamento mas em circuitos electrónicos. Assim a equipa criou um motor que é controlado e monitorizado visualmente e que é composto por dois detectores de movimento. Existe ainda um segundo motor que executa movimentos simples que são interpretados pelo primeiro motor e então este é capaz de o percepcionar. Tudo isto acontece a uma velocidade extremamente elevada, tal como acontece com os gafanhotos. Segundo a equipa, a inspiração adveio da forma como os olhos dos gafanhotos apreendem a informação do exterior. Deste modo, o sistema utilizado foi aplicado em robôs que conseguem, agora, movimentar-se e interpretar 0 que os rodeia de modo visual.
Segundo a equipa, a visão é o sentido que permite à maioria dos seres vivos perceberem o que os rodeia e evitar que sejam capturados pelos seus predadores, por exemplo. Logo, conseguindo transpor o sistema visual para a tecnologia seria possível cria automóveis com “olhos” que estão constantemente a receber e a processar a informação do exterior do automóvel, podendo assim perceber se irá ocorrer, ou não, uma situação de colisão. Isto processado por softwares complexos com base no estudo neuronal destes animais, poderia diminuir acentuadamente a sinistralidade rodoviária.
Os acidentes de automóvel estão entre as principais causas de morte, principalmente nos países ocidentais, daí que a implementação destes sistemas permitiria remover um dos fatores que mais causam sinistros na estrada, o erro humano. A equipa salvaguarda ainda que existem já muitos sistemas de segurança que são implementados nos veículos, contudo são muito caros e apenas alguns carros, mais caros, é que vêem equipados com tais tecnologias. Existe já a possibilidade de criar uma rede onde estradas e veículos estão constantemente a ser monitorizados e sabe-se quais são as trajectórias de cada veículo, prevendo com antecedência uma situação de perigo, evitando-a.
Contudo, o sistema que está a ser desenvolvido com base nos gafanhotos permite que o veículo esteja apenas atento ao que se passa em seu redor e só sejam feitos cálculos de manobras evasivas para evitar uma colisão no momento em que o perigo é eminente. Tudo isto é processado e aplicado em algumas fracções de segundo, como o que acontece com os gafanhotos.
Esta não é a primeira vez que os gafanhotos servem de inspiração para os cientistas, já há uns anos foram feitos estudos de modo a perceber como é que as asas dos gafanhotos funcionam e de que modo conseguem manobrar-se tão rapidamente em pleno voo. O gafanhoto é dos animais com o voo mais perfeito dentro de todos os animais.
Fonte: Tecmundo



