Tendo em conta o conhecimento do ser humano e de como cada pessoa se posiciona em relação ao mundo e em relação aos seus semelhantes da sociedade em que se encontra.
Suponhamos que num grupo de cientistas se baseava em teorias pré-formuladas e não buscava o avanço científico. Tínhamos um grupo de cientistas a estudar as mesmas teorias, sem nunca por em causa, nem se quer procurar outras formas de explicar e sustentar as teorias que defendem. Ou seja, suponhamos que nesse grupo de cientistas, todos eles aceitam as mesmas teorias ou descobertas aceitando as justificações dadas pelos seus antecedentes.
Então, estes cientistas não possuíam capacidade de argumentar, nem de questionar e reformular o que já foi previamente concebido, e estes cientistas continuavam a experimentar as mesmas fórmulas e teorias mas tendo sempre em base os resultados já obtidos por outrem, ou seja, pesquisavam (ou melhor trabalhavam as pesquisas de outrem) as teorias de outros. Até que surge alguém, um cientista, que não conformado com o facto de todos aceitarem as teorias pré concebidas, sem nunca porem em causa. Então este cientista, ao qual podemos chamar revolucionário, questionou e quis mudar as teorias que ele achava erradas ou incompletas, e apresentando justificações ou argumentos que explicasse melhor determinado acontecimento. Apesar disso, ou outros cientistas discriminavam, de certa forma, o cientista “revolucionário” porque o achavam louco, por este pensar e ir contra o que os seus antecedentes tinham descoberto. Mas este cientista motivado e convicto do que o que os seus colegas cientistas defendiam estava errado, e ele querias arranjar justificações para a tese que defendi de maneira a dar um contributo correcto para a sociedade.
Mas o mais importante não é o facto do cientista ter razão, o mais importante é o facto dos outros cientistas estarem tão ligado e “agarrados” às teorias que não aceitam o que há de novo e a evolução, acomodam-se ao seu saber, sem nunca querer avançar. Temos de ter presente que o saber é um limite que se vai afastando de nós constantemente, é o caso da ciência, quando determinada ciência busca uma solução ou uma justificação para determinado facto, e se o consegue alcançar obrigatoriamente irá surgir uma nova meta a atingir e uma nova questão, à qual a ciência buscará responder e isto acontece repetidamente.
Voltando aos cientistas que não aceitavam o facto das teorias quês estudavam estarem erradas, continuavam a desprezar de certa forma o conhecimento que o outro cientista pretendia esclarecer. O mais fácil, já estava conseguido, pois o cientista já tinha encontrado a solução e a justificação mais correcta para o fenómeno em questão, é claro que este “fácil” é relativo, o mais fácil em relação ao facto de ele ter de convencer toda a comunidade científica. Remetendo agora isto para o text4e de Platão, podemos assemelhar os cientistas ao mundo sensível e o cientista que tentou o conhecimento e a busca de mais conhecimento conseguiu subir ao nível da sabedoria em relação aos outros cientistas. Podemos dizer que o cientista “revolucionário” está actualmente num nível mais próximo do mundo inteligível, do mundo da razão.
Mas o que também valoriza este cientista é o facto de ele não querer apenas a busca do conhecimento e a busca de chegar a um patamar mais próximo do saber, mas sim querer mostrar aos outros o seu conhecimento, levar os outros cientistas a aceitar a mudança e o constante desenvolvimento do conhecimento, para que futuramente estes possam voltar a questionar e a melhorar novas teorias, querendo cada vez mais a busca de mais e mais conhecimento. Nunca desistir e aceitar as ideias pré concebidas, devemos questionar sempre o que nos envolve tal como fez o cientista que revolucionou a ciência e tentou levar os outros a mudar e a questionarem-se também.
No fundo, podemos concluir que não nos devemos acomodar ao conhecimento que temos e a ideias pré existentes, mas sim querer procurar os nossos próprios ideais e querer criticar de uma forma argumentada algo que esse individuo acho menos correcto ou que consegue completar alguma das ideias dominantes. Devemos procurar chegar sempre mais perto do mundo da razão, do conhecimento, mas também levar os outros a isso para que cada vez mais o Homem se posicione mais perto da sabedoria.
Autor: Henrique Fernandes
