Vampiro é um ser mitológico que sobrevive alimentando-se de sangue. Embora entidades vampíricas tenham sido registadas em várias culturas, o termo vampiro apenas se tornou popular no início do século XIX, após um ressurgimento destas crenças na Europa Ocidental, vindas de áreas onde lendas sobre vampiros eram frequentes, como os Balcãs e a Europa Oriental (embora variantes locais sejam também conhecidas por outras designações, como vrykolakas na Grécia e strigoi na Roménia). Este aumento de superstições na Europa levou a uma histeria coletiva, resultando em alguns casos na perfuração de cadáveres com estacas e acusações de vampirismo.
Embora mesmo os vampiros do folclore balcânico e da Europa Oriental possuam um vasto leque de aparências físicas, variando de quase humanos até corpos em avançado estado de decomposição, foi em 1819, com o sucesso do romance de John Polidori – “The Vampyre” – que se estabeleceu o arquétipo do vampiro carismático e sofisticado; esta pode ser considerada a mais influente obra sobre vampiros do início do século XIX, inspirando obras como “Varney the Vampire” e, eventualmente, “Drácula”.
Em 1985 o bioquímico David Dolphin propôs uma ligação entre um raro distúrbio sanguíneo conhecido como porfiria e o folclore vampírico. Reparando que essa condição é tratada com hemo intravenoso, Dolphin sugeriu que o consumo de grandes quantidades de sangue poderia resultar de alguma maneira no transporte do hemo através da parede do estômago e para a corrente sanguínea. Desta maneira, os vampiros seriam meros indivíduos sofredores de porfiria que procuravam aliviar os sintomas. Do mesmo modo, foi estabelecido um paralelo com a sensibilidade à luz do Sol por parte dos afectados por porfiria. Esta teoria tem sido desmontada pelo meio médico, uma vez que as sugestões sobre os afectados por porfiria desejarem a ingestão do hemo no sangue humano, ou que o consumo de sangue possa atenuar os sintomas da doença, são baseados numa compreensão errada da doença. Em todo o caso, Dolphin não chegou a dar mais divulgação aos seus trabalhos. Embora tenha sido posto de parte pelos peritos, a ligação entre vampirismo e porfiria conseguiu a atenção dos média.
A raiva também tem sido associada ao folclore vampírico. O Dr. Juan Gómez-Alonso, neurologista no Hospital Xeral em Vigo, examinou esta possibilidade num relatório publicado no jornal Neurology. A susceptibilidade a alho e à luz pode resultar da hipersensibilidade, um dos sintomas da raiva. A doença pode também afectar partes do cérebro, causando um distúrbio nos padrões normais do sono (e assim um comportamento nocturno). Lendas antigas diziam que um homem não tinha raiva se conseguisse olhar para o seu próprio reflexo – uma alusão à lenda sobre vampiros não terem reflexo. Lobos e morcegos, que são muitas vezes associados a vampiros, podem ser portadores de raiva. A doença pode também levar a um desejo de morder os outros e a espumar sangue da boca.
Adaptado de
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vampiro [18/12/11]
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