Escrever estas linhas melancólicas, angustiantes, foi por mim evitado, viver numa realidade alternativa à minha realidade, que é a minha própria realidade. Não sei como isto acontece, está sob meu controlo, mas por vezes começa a fugir, e eu começo a ser arrastada por uma corrente desconhecida e caio numa melancolia tão profunda, que tudo dói, dói tão dolorosamente, que parece que dói de verdade. Mas esta dor é apenas um vazio, sendo assim, como pode doer? Mas dói, e dói e dói, tão intensamente…
Como queria que não doesse, mas dói. E não sei como me libertar deste enclausuramento. Como quebrar a dor e partir livre. Por ventura, poderemos nós ser livres? Poderá esta dor desvanecer, melhor, desaparecer? Leva-a contigo, que eu já mais não posso com ela. Pesa-me no coração, pesa-me na alma, pesa-me no corpo, pesa em todo o meu ser, e dela não me consigo ver livre. Entranhou-se em mim de tal forma, corrompeu a minha alma e criou um buraco. Meu coração já mais não existe, a dor consumiu-o, e o meu corpo já não é mais do que um vislumbre do que outrora foi, cansado, frágil, prestes a quebrar. Já não posso comigo. O meu corpo cede, a minha alma acompanha.
M.A.

