Jufnarceojb Barbaritanos!
Quanto a vocês não sei, não faço a mínima ideia, não vou chegar a saber, mas quanto a mim, eu, minha pessoa, estou magoada e indignada com esta situação! As quintas estão a ser extremamente, exageradamente, irritantemente preguiçosas! Senão viagem no tempo comigo: 24 de novembro, greve; 1 de dezembro, feriado! E para acabar em beleza, hoje, 8 de dezembro, quinta-feira, FERIADO! Isso significa que a crónica não vai ser publicada porque me irá dar um ataque de preguicite agudo e espontâneo, vocês não serão capazes de ler devido à cegueira momentânea criada em homenagem ao azoto, as nossas avós não se darão ao trabalho de acender as lareiras para os netinhos aquecerem as mãos, as mães não farão bolo de ananás e picles para o jantar (graças a Deus!) e eu escreverei uma crónica mesmo muito rasca. Com um jeitinho ainda chove, partimos o guarda-chuva, ficamos irmãos do rio Douro e rastejamos como minhocas!
Chuva, chuva, chuva… apenas a vemos cair, pensando em toda a química envolvida nisso mas esquecemo-nos da verdadeira razão que fez com que, pela primeira vez, viajassem tantas gotículas inofensivas, atravessando os céus, chegando à Terra! Isto vai soar estranho, muito pouco ternurento mas tentem compreender a enorme linha imaginativa grega! Tudo começou com Geia, a mãe de todos os seres, criada pelo Caos ao tropeçar num iceberg! Foi ela quem gerou Uranos, num lindo dia de Sol, com quem posteriormente se casa (naquela altura ainda não se falava em incestar, eu incesto, tu incestas, nós incestamos, eles incestavam todos, perfeitamente natural), dando origem a vários seres, tais como os Titãs, as Titânidas, os Ciclopes e os Hecatonquiros, que vieram todos embrulhadinhos em papel de celofane reciclado e previamente desinfetado. Os que irão dar continuidade a esta história serão os Titãs, dentro do pacotinho azul alface, mais propriamente Cronos, o mais novo e audaz de todos eles, a pecinha peão-branco do jogo de xadrez lá de casa. Ele não só castrou o seu pai-irmão (já havia um Renato Seabra ancestral em potência naquela altura), como se tornou rei do Universo! Sim, porque não existem maneiras mais fáceis e menos nojentas de reinar!
E num dia de neve (ainda não havia chuva!), Cronos passeava; ao virar da esquina, sem que se apercebesse, atravessou-se Réia no seu caminho, a deusa mais bela que alguma vez vira. E uma fantabulástica história de amor deu início à gestação de vários outros deuses, todos eles belos como a mãe e corajosos como o pai! E se nos transformássemos em repórteres da TVI, estivéssemos num vídeo dos Apanhados TVI Porto, e pudéssemos perguntar ao Cronos como teria conhecido a sua mulher, ele certamente responderia: “Eu disse-lhe: ‘vou-te comer’, e comi!”. Pois é caros Barbaritanos… Sabem, tudo o que fazemos é uma espécie de boomerang: o que atiramos, volta e esbarra contra nós! Cronos, com medo de ser destronado, tal como fizera com seu metade pai/metade irmão, comia os filhinhos que a mulher gentilmente dava à luz. Ora bem, existe a autotrofia, sobrevives do que produzes e a heterotrofia, sobrevives do que os outros produzem; dentro desta ainda existe a tretotrofia, onde vives à rica e à francesa, comendo aquilo que os outros dão à luz! Queria ver onde é que o Whittaker iria meter este indivíduo! Mas continuando, como tudo o que é demais é moléstia, Réia cansou-se, salvou um deles, embrulhando uma pedra que Cronos merendou sem dar pela diferença. E vocês perguntam: Quem ela salvou?
O deus por excelência, o deus dos deuses, o pai de todos os deuses, o chefe reconhecido por todos, o supremo governo do mundo, que vivia no Olimpo e zelava pela ordem e harmonia das coisas! Zeus. Um dia voltou, vindo ao encontro de seu pai. E apesar de ser filho de quem era, não seguiu os passos do progenitor! Logo, filho de peixe pode muito bem não saber nadar! Destronou Cronos, deu-lhe um remédio que fez com que cuspisse todos os seus irmãos e irmãs, e mais tarde partilhou o trono com todos, casando com uma delas, Hera. E foi ele que recolheu e dispersou as nuvens, comandando as tempestades, criando os relâmpagos, enormes trovoadas famintas, mas mais importante, foi ele que lançou a chuva com a sua poderosa mão direita!
Por isso, cada vez que as nuvens se juntem, o céu desespere, os trovões tendam a assustar a Humanidade e a chuva, simples e fria, comece a cair, não desesperem, é apenas Zeus com o seu égide e a sua mão direita!
P.S. Égide: escudo mágico e formidável feito por Hefesto, filho de Zeus e Hera, que protegia Zeus e com o qual ele formava relâmpagos, sacudindo-o.
Bom feriado!

