
Estrutura química da maitotoxina
A maitotoxina (MTX) é uma toxina extremamente potente, produzida por Gambierdiscus toxicus, uma espécie de dinoflagelado. O seu nome deriva do peixe Ctenochaetus striatus – conhecido por “maito” no Taiti – pois foi daí que fora extraída pela primeira vez (só mais tarde é que foi demonstrado que a toxina é, na verdade, produzida por G. toxicus).
Esta toxina é um metabolito secundário policetónico (produzido pela via PKS) modificado (fórmula química C164H256O68S2Na2). É um sólido amorfo incolor com massa molar 3422 g mol-1 e é solúvel em água, metanol e etanol; no entanto, é insolúvel em dietil éter, acetona e clorofórmio. Trata-se de um sistema de 32 anéis fundidos, sendo uma das maiores e mais complexas moléculas produzidas por um organismo vivo que não pertencem ao grupos das proteínas e dos polissacarídeos. Além dos 32 anéis éter, a maiotoxina é também composta por 22 grupos metilo, 28 grupos hidroxilo e dois ésteres de ácido sulfúrico e apresenta uma estrutura anfipática.
A maitotoxina actua através da activação dos canais extracelulares de iões cálcio, levando a um aumento dos niveis citosólicos deste ião, provavelmente através da formação de poros nesses canais. Esta alteração nos níveis de Ca2+ leva à activação de uma cascata de sinalização relacionada com a morte celular programada, resultando em alterações conformacionais das membranas (e.g. blebbing) e, em última instância, à lise celular. A maitotoxina pode ainda activar indirectamente proteases dependentes de cálcio calpain-1 e calpain-2, contribuindo para o processo de necrose. A toxicidade deste composto em ratos é a mais elevada da das toxinas não proteicas: tem um LD50 de 50 ng kg-1.
Ciguatera é um tipo de envenenamento causado pelo consumo de peixe contaminado com ciguatoxinas e a MTX é o percursor dessas toxinas. As maitotoxinas são biotransformadas em ciguatoxinas por peixes herbívoros e invertebrados e estas acumulam-se em níveis tróficos superiores – peixes de recifes de coral, como a barracuda, a garoupa e o pargo. Ciguatera é o caso mais reportado de envenenamento por toxinas marinhas e estima-se que cerca de 25000 pessoas são afectadas anualmente.
Imagem: twitter.com/maitotoxin

