Estabilizar solo é um processo complexo. O objetivo deste artigo é explicar resumidamente os principais obstáculos na estabilização de solos moles – processo presente em diversas regiões e pontos de passagem, mas que passa desapercebido pela maior parte das pessoas.
Por exemplo: para preparar um solo lamacento, que não é especialmente mole, para a passagem de veículos de passeio ou transporte, é possível resumir os processos nos seguintes passos:
- Limpeza do solo
- Escarificação do solo
- Desfazer os torrões de terra da área
- Umedecer a área
- Tornar o solo homogêneo
- Aplicar produto químico para estabilização e homogeneizar
- Nivelamento do solo
- Compactação e acabamento do solo
Esse procedimento específico envolve o uso de maquinaria pesada e a aplicação de grandes quantidades de substâncias químicas para estabilizar o solo.
Mas, se o solo lamacento parece dar muito trabalho, os solos moles tendem a ser muito mais problemáticos.
Definição de solo mole
Sem precisar assumir linguagem técnica, é possível definir um solo mole como sendo áreas com superfície deformada e geralmente litorais ou à beira de lagos, sempre com presença de água.
A água pode estar presente de diferentes maneiras na superfície, podendo ser desde áreas mal drenadas até territórios em que o lençol freático está junto à superfície da terra. Neste caso em particular, executar intervenções sem causar impactos ambientais indesejáveis (como a contaminação da água) é uma agravante terrível ao trabalho.
Mas, mesmo sem a proximidade de lençóis freáticos, essa característica de piso não rígido traz um obstáculo ainda mais básico para o processo de padronização: as máquinas não conseguem transitar de maneira adequada sobre ele.

Desafios
Além do tráfego de equipamentos durante a obra e as questões ambientais relativas à água, há desafios de segurança e da preservação da obra quando empreitadas se dispõe a estabilizar solos moles.
Pode haver rupturas durante e depois do processo de construção naquela superfície, e esse é certamente o desafio mais ameaçador. A praxe da estabilização nesse cenário é remover o material mole e substituí-lo por aterros.
Nesse processo, a remoção do material mole é feita – e é necessário arranjar um local para descarregar esse material. A escavação e substituição são geralmente feitas com maquinaria de grande porte, como dragas. Outra opção é a aplicação de explosivos para liquefazer os solos móveis.
É importante dizer que é preferível não remover inteiramente o material do solo mole antes de juntar materiais mais estáveis à superfícies escavada. No entanto, nem sempre isso é possível.
Em seguida, vem o aterramento da área, com solo melhorado, menos fofo que o original. Esse processo vem antes da instalação dos drenos verticais, que são grandes estruturas estabilizadoras junto ao chão escavado.
No processo de aplicar novos materiais para formar o aterro, há algumas opções. Cimento ou solo são materiais comuns, assim como a cal.
Há também outros materiais leves, como tiras de borracha ou pneus picados, argila expandida e serragem.
Alternativa de substituição
Porém, há opções para a substituição de solo que provocam um impacto menor na emissão de carbono. A aplicação de geocélulas é ecologicamente correta e mais económica do que os tipos de aterro já citados e criam uma manta de base, que aumenta a capacidade de carga do solo, minimiza o afundamento da superfície e atua como manta de drenagem, acelerando a consolidação do processo.
Estabilização lateral
Além do aterro da área principal, muitas vezes é necessário fazer aterros laterais para equilibrar o peso exercido pela porção central de solo.
Esses reforços laterais são chamados bermas de equilíbrio, e evitam que o solo mole seja expurgado para além de sua posição no talude.
A largura das bermas é variável, calculada conforme a demanda da superfície.
Colunas e fundações
Feito todo o processo de aterramento do solo mole em questão, ainda é necessário estabelecer a fundação adequada do trajeto. Essa ação é feita a fim de evitar as já mencionadas possibilidades de ruptura do solo durante ou depois das obras.
Há diversos métodos para a instalação das fundações na área que passa pelo referido processo. O tipo de escavação e da coluna inserido no solo variam conforme a obra.
Em muitos casos, produtos químicos estabilizantes são aplicados nessa parte do processo. Alguns compostos químicos têm propriedades de tornar hidrofóbico o material em que são aplicados.
Esse tipo de aplicação aconteceu durante o processo de construção de ferrovias na Amazónia, por exemplo: o produto químico aderia à lama, que é hidrofílica (permeável à água), subtraindo a água e transformando-a em xisto (que não é permeável à água).
Conclusão
A estabilização de solos moles exige muito empenho, gastos e planejamento. Graças a esse processo complexo é que grandes estruturas que fazem parte de nosso dia-a-dia conseguem se sustentar sem que grandes desastres e prejuízos ocorram. Pense nisso na próxima vez em que transitar por estradas litorais ou próximas a lagos.
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