A raposa-do-cabo (Vulpes chama), também conhecida como raposa-de-costas-prateadas, é uma pequena espécie de raposa. É um animal nativo do sul de África (Zimbabwe, Botswana, Lesoto e África do Sul). Possui uma pelagem preta ou prateada-acinzentada nos seus flancos, enquanto a sua zona ventral está coberta por um pêlo amarelo claro. A ponta da sua cauda é sempre preta.
Um indivíduo adulto costuma ter cerca 45-61 cm de comprimento, sem contar com a sua cauda de 30-40 cm. A raposa-do-cabo tem ainda uma altura de ombro de cerca de 28-33 cm e pode pesar cerca de 3,6-5 kg.

A raposa-do-cabo, apesar do seu tamanho diminuto, é um predador bastante capaz e apto para o seu habitat. Autor: Johan Strydom.
O seu habitat de eleição são as planíces abertas das savanas africanas e incluem também zonas semi-desérticas e um bocado montanhosas (como é o caso do Lesoto).
A raposa-do-cabo é um animal principalmente nocturno, estando mais ativo antes do amanhecer ou após o anoitecer. Pode ser avistado às primeiras horas de ambos os períodos atrás mencionados. Esta raposa passa a maior parte do dia em tocas e buracos subterrâneos, ou em arbustos muito densos. Apesar de conseguir cavar as suas próprias tocas, a raposa-do-cabo prefere modificar tocas pré-existentes, de forma a facilitar-lhe o trabalho. Para tal, utiliza tocas abandonadas, pertencentes a outras espécies, como lebres-saltadoras por exemplo.

Uma raposa adulta a alimentar-se de uma galinha-d’Angola. Autor: Yathin Krishnappa.
São mamíferos solitários e apesar de formarem pares de reprodução, tanto os machos, como as fêmeas, são encontrados sozinhos pois ambos preferem procurar por comida separadamente. Não são uma espécie muito territorial, mas costumam deixar os seus territórios bem marcados. Normalmente, são silenciosas, mas são conhecidas por vocalizações suaves, gemidos e às vezes até latidos (quando alarmadas). Quando estão se sentem mais agressivas, estas raposas costumam rugir e cuspir para os seus atacantes. Quando se sentem muito excitadas, elas levantam a sua cauda. Quanto mais alta esta estiver, mais excitada se encontra a raposa-do-cabo.
São omnívoros e alimentam-se tanto de animais, como de plantas. Preferem alimentar-se de pequenos mamíferos, como roedores, e invertebrados. Também são oportunistas, caçando répteis, coelhos, aranhas, pássaros e jovens lebres. Também costumam comer ovos, larvas de escaravelho, carne putrefata, inesctos e frutas. Em alguns lugares, acredita-se que chegaram mesmo a caçar cordeiros juvenis (mais raro de acontecer).

Uma raposa-do-cabo com dois juvenis. Autor: Johan Strydom.
Juntamente com a raposa-do-deserto (feneca), a raposa-do-cabo é das espécies de raposas mais pequenas que existe.
Como a maior parte das espécies de canídeos, as raposas-do-cabo têm companheiros de uma vida. São capazes de se reproduzir durante todo o ano, ao contrário da raposa-vermelha. Tipicamente, têm as suas crias entre Outubro a Janeiro. A gestação dura cerca de 51-53 dias, posteriormente a progenitora dá à luz a 1-6 crias. Estas crescem nas tocas subterrâneas, e só saem daqui passados 4 meses. Elas amamentam durante 6-8 meses as suas crias. Aos cinco meses de idade, as crias começam a ficar independentes. O progenitor também ajuda a tomar conta das crias e é ele que traz alimento para a fêmea durante as primeiras duas semanas após o nascimento. Passado um ano, as crias tornam-se totalmente adultas e maturas (a maturidade sexual alcança-se aos 9 meses). A raposa-do-cabo pode viver até aos 10 anos, mas vive normalmente cerca de 6 anos.

Crias de raposa-do-cabo a aventurarem-se fora da toca. Autor: Susann Eurich.
Os principais predadores desta raposa incluem gaviões, corujas, leopardos, hienas, caracais e leões. Doenças como raiva e cinomose, juntamente com armadilhas furtivas e atropelamentos, estão na principal causa de morte das raposas. Acredita-se que cerca de 2.500 indivíduos são mortos anualmente, tratados como pragas principalmente. Mas apesar disto, os números das populações continuam bastante estáveis e num estatuto pouco preocupante.
Fonte: Wikipedia

