A medula óssea é o principal responsável pela produção dos elementos figurados do sangue, como os glóbulos vermelhos, os glóbulos brancos e as plaquetas. A aplasia medular, caracterizada pela falência da medula óssea, resulta, por isso, numa diminuição na produção das células sanguíneas.
Esta é uma doença grave, mas rara, e pode desenvolver-se em qualquer idade. Ela pode ter um desenvolvimento mais lento, ao longo de semanas ou meses, ou mais rápido, podendo ser crónica ou fatal.
A aplasia medular resulta, essencialmente, numa diminuição na quantidade de células estaminais na medula óssea ou na sua capacidade de se desenvolver nas células maduras do sangue. Ela pode ser causada por exposição a substâncias tóxicas e radiações, ou pelo consumo de certos fármacos (antibióticos como o cloranfenicol e medicamentos contra a artrite reumatóide). Doenças autoimunes também podem estar na origem desta doença e também infeções virais, como as causadas pelos vírus da hepatite, Epstein-Barr, citomegalovirus, parvovirus B19 ou o HIV). A aplasia medular pode também ser idiopática (de causa desconhecida).
Os elementos figurados do sangue desempenham funções distintas, mas todas de extrema relevância. Os eritrócitos transportam oxigénio a todas as células. Os leucócitos estão envolvidos na resposta imune, e as plaquetas participam no processo de coagulação. A diminuição da produção destas células, como acontece na aplasia medular, traduz-se, deste modo, na diminuição destas funções. Os doentes queixam-se frequentemente de fadiga e falta de ar, são mais susceptíveis a infeções e mais propícios a hematomas e hemorragias severas e prolongadas. Também são sintomas da aplasia medular o aparecimento de manifestações cutâneas, tonturas e dores de cabeça.

Medula óssea normal (esquerda) e medula óssea dum doente com aplasia medular (esquerda). Retirado de Pathologic Basis of Disease – Elsevier Inc
O diagnóstico de aplasia medular é feito recorrendo a testes sanguíneos, já que estes demonstram se existe uma diminuição nos níveis das células sanguíneas. Se esta diminuição se verificar, uma biópsia à medula óssea que mostre uma diminuição do tecido hematopoiético confirma o diagnóstico.
O tratamento, nos casos menos severos, é feito recorrendo a transfusões de sangue ou de apenas alguns elementos (só eritrócitos ou só plaquetas). Nos casos mais graves, é de considerar o transplante de células estaminais. No doentes em que o transplante não seja possível, o tratamento com fármacos como imunossupressores (quando a aplasia medular é de origem autoimune), estimulantes de medula óssea, antibióticos e antivirais, permite controlar os sintomas. Os doentes também devem abster-se de praticar exercício físico, devido ao risco de hemorragia, ter mais atenção à higiene das mãos, para diminuir as hipóteses de contrair uma infeção e descansar bastante, devido à fadiga e falta de ar características desta doença.
Diseases and Conditions: Aplastic Anemia. Mayo Foundation for Medical Education and Research (Consultado a 29-06-2016 em http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/aplastic-anemia/basics/definition/con-20019296)
Pathologic Basis of Disease – Elsevier Inc (Consultado a 29-06-2016 em http://patologia.gabeents.com/data/Pathologic/hem1/record0009.html)

