A ciência não pára e como tal ficam aqui alguns dos desenvolvimentos que podem vir a ocorrer no próximo ano de 2015.
Gelo do Oceano Ártico
À medida que o planeta aquece, também a investigação sobre as consequências da dimunuição da banquisa do Ártico, aumenta. Banquisa é a denominação dada ao gelo formado a partir do congelamento da água do mar, comparativamente aos icebergues que se formam em terra a partir de água doce. Esta tem um papel muito importante na regulação do clima global uma vez que a camada de gelo que se forma reflecte a luz solar. Sabe-se que o seu derretimento leva ao aquecimento da região do Ártico uma vez que a água do mar absorve mais energia do sol, mas quais são os efeitos climáticos nas zonas com menor latitude? Será esta a causa de algumas das catástrofes que ocorreram nos últimos anos? Este é um assunto bastante debatido. Identificar as conexões a longa distância com a complexa dinâmica da circulação atmosférica não é tarefa fácil. Este ano os cientistas propuseram alguns padrões que se devem observar, esperando-se assim que em 2015 se defina de que forma uma alteração no Ártico pode ter influência milhares de quilómetros mais a sul.
Encontros do Sistema Solar
O ano 2014 foi o ano do cometa, mas 2015 poderá vir a ser o ano do planeta anão. Em março do próximo ano, a sonda espacial da NASA, Dawn, chegará a Ceres, o maior objecto da cintura de asteróides, contendo uma enorme quantidade de gelo. Quatro meses mais tarde, em julho de 2015, a sonda espacial New Horizons passará próximo de Plutão num breve mas histórico encontro. Estes dois corpos celestes são como que gémeos. Foi em 2006 que a União Astronómica Internacional promoveu Ceres de asteróide a planeta anão, e despromoveu Plutão de planeta a planeta anão. Alguns cientistas propuseram que ambos os astros foram criados devido ao choque de dois cometas nos limites do Sistema Solar e acabaram em diferentes locais possivelmente devido às forças gravitacionais de Júpiter. Estas duas missões poderão vir a deslindar as suas verdadeiras histórias.
Reinício do LHC
É já na próxima primavera que, após 2 anos em baixo para reparações, o Large Hadron Collider (LHC) presente no CERN em Genebra, Suíça, voltará a estar no activo. Foi em Julho de 2012 que o LHC permitiu a descoberta do bosão de Higgs, a peça que faltava no Modelo Padrão da Física de Partículas. No entanto alguns investigadores afirmam que para a física de partículas ter futuro, o LHC terá de dar a conhecer algo para além do postulado pelo Modelo Padrão. Para já o LHC vai voltar a funcionar com energia duas vezes superior à utilizada anteriormente, aproximando-se da energia para o qual foi desenhado, esperando-se que nos próximos anos, novas descobertas possam surgir.
Imunoterapia Combinada
Há cada vez mais evidência de que a imunoterapia pode ser um forte aliado na luta contra o cancro. O grande foco neste momento é a utilização de vários tratamentos simultaneamente, como por exemplo, 2 tipos de tratamento por imunoterapia, ou imunoterapia conjunta com quimioterapia. Já vários ensaios clínicos estão a caminho, desde um estudo fase I em que combinam um medicamento utilizado na imunoterapia, ipilimumab, com outro que diminui o crescimento dos vasos sanguíneos, para o tratamento do melanoma, até um estudo fase III em que pretendem verificar se há um aumento da eficácia da quimioterapia no tratamento do cancro do pulmão ao se utilizar o ipilimumab conjuntamente. Os resultados destes estudos poderão vir a facilitar a vida dos oncologistas, no momento de prescrever um tratamento.
Fontes:
Science 19 December 2014: 346 (6216), 1450.
National Snow & Ice Data Center

