O sulfeto de hidrogénio, responsável pelo odor característico a “ovos podres”, foi usado recentemente por um grupo de investigadores no sentido de conseguir supercondutores a temperaturas e pressões que se coadunam com as condições ambientais. Os resultados mostram que conseguiram manter as propriedades do supercondutor a 190 K (- 83 °C), ultrapassando a marca atual até então de 164 K (- 109 °C). O mais interessante é que este supercondutor foi conseguido sem recorrer a materiais exóticos ou complexos como os cupratos, mais sim sulfeto de hidrogénio (H2S).

“Superconductors made of ceramics called cuprates have until now held the record for the warmest temperature at which they can operate, but a new class of materials could change that.”
Os autores afirmam que submetendo sulfeto de hidrogénio a pressões similares às que se verificam no interior da Terra é possível transformá-lo num supercondutor que mantém as propriedades até aos -83 °C.
“If the result is reproduced, it will be quite shocking,” (Se o resultado for reprodutível, será um pouco chocante) afirma Robert Cava, química na Universidade de Princeton em New Jersey. “It would be a historic discovery.” (Poderá ser uma descoberta histórica), acrescenta.
Segundo a atual teoria da supercondutividade, a vibração dos átomos de um cristal pode levar os electrões a formarem “Cooper pairs” que podem circular pelo cristal sem resistência. Contudo, nem todos os cientistas acreditam que esta teoria possa explicar os fenómenos em cupratos, por exemplo. Todavia, outros acreditam que isso pode permitir o desenvolvimento de supercondutores a temperaturas superior, especialmente se possuírem átomos leves na sua constituição, como são exemplo os Hidrogénios. Isto porque são átomos que permitem vibrações mais rápidas e isso confere maior força de ligação entre os electrões dos “Cooper pairs”.
O projeto
Este projeto, liderado por Neil Ashcroft, teve como objetivo comprovar o que um grupo chinês tinha previsto, que um supercondutor de sulfeto de hidrogénio poderia manter as propriedades até cerca de 80 K a uma pressão de 1,6 milhões de atmosferas. Os resultados são um pouco mais impressionantes, uma vez que a pressões de 1,8 milhões de atmosferas, a condutividade diminuí abruptamente aos 190 K, indicando a transição para o estado de supercondutor.
Alexander Gurevich, um teórico da Universidade de Old Dominion em Norfolk, diz que estes resultados podem marcar um ponto importante no estudo dos supercondutores, contudo acautela que os investigadores terão ainda de provar um dos hallmarks da supercondutividade, o conhecido efeito de Meissner. Este efeito basicamente corresponde à capacidade do material em expelir as linhas de um campo magnético.
Fonte: Nature
