Oi pessoal, o fim-de-semana está a chegar e acredito que toda a gente esteja cheia e “inchada” das aulas. Como tal, decidi convidar uma família muito interessante, os Tetraodontidae ou mais conhecidos por Peixes-Balão. Duvido que haja alguém que nunca tenha ouvido falar deles, mas se houver alguma pessoa que não saiba, estes peixes têm a fantástica capacidade de incharem, ficando esféricos e rodeados de espinhos.
Estes carnívoros são peixes muito lentos e com capacidade diminuída de fuga contra predadores, sendo assim muito vulneráveis. Como tal, eles desenvolveram uma táctica ofensiva/defensiva muito prática. Tendo as paredes do estômago muito elásticas, eles conseguem ingerir grandes quantidades de água (ou mesmo ar!) transformando-se numa enorme bola nada apetitosa. Ainda há espécies de peixes-balão que possuem espinhos, desencorajando ainda mais um possível predador.
Algum peixe que consiga engolir um dos nossos convidados poderá defrontar-se com duas possíveis condições. Ao engolir, o peixe-balão, subitamente incha, ficando preso na sua garganta, engasgando-o ou este começa a segregar tetrodotoxina (algo que a maior parte das espécies de peixes-balão produz). Esta substância dá um sabor horrível ao peixe e é altamente letal (10 mais letal que cianeto de potássio). Um peixe-balão produz tetrodotoxina suficiente para matar até 30 pessoas, não havendo nenhum antídoto conhecido.
Isto não significa nada, pois a carne de alguns peixes é considerado um prato muito apetitoso. Conhecido por fugu no Japão, é um prato muito caro e só pode ser preparado por chefs licenciados (um corte a mais, pode significar menos um cliente e um possível processo no tribunal para o restaurante). Este prato é apreciado devido às pequenas quantidades de veneno que dão um sabor sobrenatural ao prato, acompanhado de alguns sintomas (dormência de lábios e língua, leves tonturas, etc) mas grandes quantidades levam à paralisia de músculos e eventual morte. Uma técnica usada é a lavagem de estômago e injecções de carvão activo (este liga-se às moléculas de tetrodotoxina) e esperar que esta potente neurotoxina acabe por sai do sistema.
Existem cerca de 120 espécies, mas é possível encontra-los em vários tipos de água (desde água doce a tropicais). Alguns apresentam cores que anunciam o seu grau de toxicidade ou cores que se misturem com o ambiente. Apesar de serem peixes venenosos, cobras marinhas e tubarões-tigre não são afectados pelo seu veneno. Podem chegar aos 61 cm de comprimento (imaginem eles a incharem!).
A sua dieta incluí invertebrados (ostras, mexilhões, etc) e certas algas. Acredita-se que eles sintetizam o seu veneno a partir de bactérias presentes nos seus alimentos (sabe-se que se controlar-mos a sua alimentação, é possível que não ocorra a produção de tetrodotoxina). As suas populações são bastante estáveis, apesar serem vulneráveis à destruição de habitat ou poluição de água.
Espero que tenham desfrutado desta espécie, que também ficou conhecido por aparecer no filme Á Procura de Nemo. E já sabem se algum dia encontrarem um peixe-balão, não se aproximem dele de preferência. O fim de semana está aí e temos de aproveitá-lo, vemo-nos próxima sexta. Adeus!
Luís M. Tavares


