O Animal em Destaque desta sexta-feira é a famosa Cobra-Real (Ophiophagus hannah), que pertence à realeza dos Ofídeos e é das cobras mais venenosas do mundo. Ophiohagus significa literalmente “comedora de serpentes”, venenosas ou não, porém se encontrar lagartos, pequenos mamíferos ou ovos, ela aproveita esta fácil refeição.
Conseguem ter 5,5 metros de comprimento, sendo das maiores cobras venenosas do mundo (Ou seja esta espécie ganhou a medalha de ouro em duas categorias). Quando provocadas, elas respondem de forma muito agressiva, levantando quase um terço do seu corpo, enquanto sibilam ameaçadoramente (quase como o rosnar de um cão) e ainda abrem as suas abas laterais (similares às serpentes do género Naja). Elas podem realizar estes movimentos, enquanto serpenteiam pelo chão, aproximando-se do seu alvo.
O seu veneno não é o mais potente, porém é a alta quantidade de toxinas que elas libertam numa única mordidela que as torna altamente venenosas. Pode chegar aos 7 mililitros, quantidade suficiente para matar até 20 pessoas, ou um elefante. Contém principalmente neurotoxinas, que como o nome indica, ataca o sistema nervoso central, ou seja, ataca o cérebro e a espinal medula, que eventualmente levam à morte do animal, por paragem respiratória. Felizmente, estes répteis não recorrem a confronto físico, quando ameaçados, preferindo fugir sempre que possível de humanos, ou outros animais de maiores proporções.
Elas habitam as florestas tropicais e as planícies da Índia, da China meridional e o sudeste asiático. A sua coloração varia de região para região e sentem-se confortáveis em quase todos os lugares, nas árvores, na água e no solo. São também das poucas cobras que constroem um ninho, que guardam furiosamente, até as suas crias nascerem. Sabe-se que pouco antes deste momento chegar, elas abandonam o ninho, diz-se que é para não cair na tentação de devorar as suas crias.
O mangusto é o predador natural deste e de outras serpentes, pois possui um sistema imunitário resistente ao veneno mortal das cobras. Porém prefere outras espécies, devido ao possivel risco de morte entre ambos.
São as cobras de eleição para os encantadores de serpentes da Ásia Meridional. Mas, na realidade elas são surdas ao som ambiente, sentindo sa vibrações do solo. É o movimento e a forma das flautas dos encantadores que influenciam a cobra e não a música tocada.
De acordo com os indianos, estas cobras possuem memória excelente. Diz-se que quando são mortas, elas retêm a imagem do seu assassino nos olhos, para quando outra cobra-real a encontrar, consiga descobrir o culpado, e ter a sua vingança. Para provar esta teoria, um caçador capturou um réptil e colocou-o numa jaula, porem quando várias pessoas a vinham ver, a cobra erguia-se e olhava apenas para o homem que a apanhou. Assim, sempre que algum indiano apanha uma cobra, ele deve-lhe esmagar ou queimar a cabeça, para danificar os seus olhos.
Este foi a realeza desta semana, espero que tenham gostado, e desculpa pelo atraso
Luís M. Tavares

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